segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Stanley Donen (1924-2019)

   Conhecido sobretudo por "Serenata à Chuva"/"Singin' in the Rain" que co-dirigiu com Gene Kelly (1952), Stanley Donen foi com Vincente Minnelli um dos reinventores do filme musical no pós-guerra.
   Em filmes como "Um Dia em Nova Iorque"/"On the Town", também co-dirigido com Gene Kelly (1949), trouxe o género para exteriores e deu-lhe uma nova linha, um novo estilo moderno que marcou os anos 50. "Casanova Júnior"/"Give a Girl a Brek" (1953), "Sete Noivas para Sete Irmãos"/"Seven Brides for Seven Brothers" (1954), "Dançando nas Nuvens"/"It's Always Fair Weather (1955) e "Ciderela em Paris"/"Funny Face" (1957) contam-se entre os seus filmes mais famosos. 
                       Imagem do filme 'Serenata à Chuva'
   Mais tarde Stanley Donen dedicou-se também com grande sucesso à comédia romântica, em filmes como "Indiscreet" (1958), "Charade" (1963), "Arabesque" (1966) e "Caminho para Dois"/"Two for the Road" (1967). 
   Aqui o recordo como um nome fundamental do cinema americano no século XX, que marcou com o seu talento e a sua arte.

Divulgação

 A ARTE DO CINEMA (2.ª Edição)

Horário: 4 sessões (8 Horas) | de 12 de março a 02 de abril 2019 (terça-feira) | Pós-laboral (18h00 – 20h00)

LIVRE (SEM CRÉDITOS)

Formador: Carlos Melo Ferreira
Supervisão Científica: Professor Doutor Vítor Almeida
Professor Doutor Carlos Miguel de Sá e Melo Ferreira, professor jubilado na Escola Superior Artística do Porto, tem uma longa carreira e experiência como pedagogo, investigador e especialista na área do Cinema. Regeu os workshops  “A cor no cinema”, “Os géneros no cinema”, “A palavra no cinema”, “A figura humana – os actores”, “A figura humana – os não-actores”, “Cinema, imagem e a realidade” e “Nouvelle vague”. Deu a masterclass “O cinema e a arte – Pedro Costa”. Participou em conferências e colóquios internacionais de cinema, nomeadamente nos encontros anuais da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, entre outros, com realce para “Corte e Abertura”, do CEAA/ESAP, de que foi co-organizador. Tem artigos publicados em revistas internacionais com double peer review e em livros, e é revisor científico de publicações internacionais sobre cinema  e sobre arte. A seu cargo teve orientações de teses de mestrado e de três teses de doutoramento em universidades portuguesas  e espanholas. Participou em júris de mestrado como orientador e presidente na ESAP , júris de mestrado como arguente e de doutoramento como arguente e orientador em diversas universidades. Da sua vasta experiência pedagógica destaca-se o exercício de funções como Professor Auxiliar na ESAP, regendo cadeiras de História do Cinema, Análise de Filmes, Teorias do Cinema, Filmologia, Documentário Cinematográfico, Estruturas Narrativas na Licenciatura em Cinema e Audiovisual; leccionou também Antropologia Visual e Semiologia e Semiótica na Licenciatura em Design e Comunicação Multimédia; História e Teoria do Cinema e da Televisão e Métodos e Práticas do Argumento no Mestrado em Realização – Cinema e Televisão; Direito da Cultura na Licenciatura em Animação e Produção Cultural. Foi Diretor do Departamento de Teatro e Cinema da ESAP num mandato de dois anos e docente convidado do Mestrado em Comunicação Audiovisual da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto durante dois anos. Tem vários títulos publicados, sendo o mais recente “Cinema Clássico Americano. Géneros e Génio em Howard Hawks”, Lisboa, Edições 70, (2018).
blog:
https://carlosmsmeloferreira.blogspot.com/
Destinatários:
Todos os interessados pelo Cinema: estudantes do Ensino Superior; estudantes do Ensino Secundário da área das Artes Visuais; público em geral com capacidade para a frequência do ensino superior.
Propinas (VER CONDIÇÕES DE PAGAMENTO):
UP/FBAUP – Estudantes , Docentes e Funcionários:
  65,00 Euros |
Público em Geral:  75,00 Euros |
Seguro escolar: 2,00 Euros |
INSCRIÇÕES ATÉ 26 FEVEREIRO DE 2019

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA EFETUAR CANDIDATURA: CERTIFICADO DE HABILITAÇÕES LITERÁRIAS
Para candidatar-se, selecione a opção INSCRIÇÕES ONLINE (disponível apenas a partir de 01 de Fevereiro de 2019)
Descrição
Partindo do postulado de que o cinema é uma arte, tentar aferi-lo ao longo da História do Cinema, das suas origens até à atualidade, explorando as características do documentário e da ficção na sua evolução histórica, passando pelo filme artístico, pelo filme sobre artistas e pelo filme sobre arte, para chegar aos filmes contemporâneos que se movem na fronteira entre o documentário e a ficção. Serão tratadas as vanguardas dos anos 20 e 60 do século XX e será dada especial atenção ao cinema moderno e a cineastas como Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Peter Greenaway, J.M. Straub,  Frederick Wiseman e Pedro Costa, entre outros.  Perante o percurso histórico e teórico desenvolvido procurar-se-á validar, ou não, o postulado de partida de que o cinema é uma arte – se o for, quando, de que modo e em que casos.
imagem: (c)  Agnès Varda, 1956

Informações
Condições de pagamento:
50% do valor total da propina e seguro escolar: pago no ato da inscrição. SEM ESTE PAGAMENTO A INSCRIÇÃO NÃO É CONSIDERADA.
Valor remanescente da propina: pago até data anterior ao início da unidade de formação
Número mínimo de participantes: 10 (DEZ)
Número máximo de participantes: 25 (VINTE E CINCO)

A SERIAÇÃO DOS CANDIDATOS É FEITA PELA ORDEM DE PAGAMENTO DAS INSCRIÇÕES.
Certificação:
Aos  participantes será emitido:
– um certificado de frequência.
A não aprovação dos formandos pode resultar de:
  1. Assiduidade inferior a 75% do número de horas presenciais;
  2. A não apresentação do trabalho individual/ portefólio;
  3. Um valor médio de desempenho inferior a 50%.
Para efeito de confirmação de falta será considerada uma tolerância de 15 minutos.
Os formandos que reprovarem por falta de assiduidade só serão considerados para unidades de formação futuras caso haja vagas sobrantes.
O pedido de emissão de certificado é feito por escrito para formcontinua@fba.up.pt no final da unidade de formação, e a emissão está sujeita a pagamento de emolumentos no valor representado na tabela em vigor.
BIBLIOGRAFIA/ DOCUMENTAÇÃO DE APOIO:
Aumont, Jacques: “A Imagem. Olhar-Matéria-Presença”, Lisboa, Texto & Grafia, 2014.
Bazin, André: “O que é o Cinema?”, Lisboa, Livros Horizonte, 1992.
Chion, Michel: “Un art sonore, le cinéma – histoire, esthétique, poétique”. Paris, Cahiers du Cinéma, 2001.
Cousins, Mark: “Biografia do Filme”, Lisboa, Plátano, 2005.
Deleuze, Gilles: “A Imagem-Movimento”, Lisboa, Documenta, 2016;
Deleuze, Gilles: “A Imagem-Tempo”, Lisboa, Documenta, 2015.
Ellis, Jack C. e McLane, Betsy A.: “A New History of Documentary Film”, New York-London, Continuum, 2006.
Elsaesser, Thomas e Hagener, Malte: “Film Theory – An Introduction Through the Senses”, New York-London, Routledge, 2010.
Ferreira, Carlos Melo: “Cinema. Uma Arte Impura”, Porto, Afrontamento, 2011.
Ferreira; Carlos Melo: “Pedro Costa”, Porto, Afrontamento, 2018.
Kovács, András Bálint: “Screening Modernism – European Art Cinema, 1950-1980”, The University of Chicago Press, 2007.
Nagib, Lúcia: “World Cinema and the Ethics of Realism”, New York-London, Continuum, 2011.
Rancière, Jacques: “Les temps modernes – Art, temps, politique”, Paris, La fabrique éditions, 2018.


https://fbaupformacaocontinua.wordpress.com/2019/01/14/a-arte-do-cinema-2-a-edicao/

sábado, 23 de fevereiro de 2019

No interior


            Depois de “Ex-Libris: The New York Public Library” (2017), Frederick Wiseman continua a encadear obras-primas uma a seguir a outra com este "Monrovia, Indiana" (2018) sobre uma pequena cidade do interior, um filme com múltiplos motivos de interesse.
            O dispositivo agora é o do exterior, largamente tratado sobretudo na sua parte rural com que se inicia: os porcos, cujo destino não é preciso explicar ou mostrar. Mas o filme acompanha também extensivamente situações e diálogos de interior, no barbeiro, na loja maçónica (o que é uma raridade), na comissão de planeamento, nas conversas de amigos que notam as doenças primeiro, as mortes depois, no cabeleireiro, na loja de armas que são um problema num estado com alta taxa de criminalidade violenta, nas igrejas cristãs - um casamento e um funeral.
            Pela primeira vez de uma forma tão próxima e detalhada na obra do cineasta, temos acesso ao american way of life tal como ele existe e é vivido por uma comunidade pequena e rural. Quando fazem compras aqueles americanos estão a viver o american way of life, tal como estão a dar a parte que lhes cabe quando discutem uma entrada ou um banco, com conhecimento de causa.
          Os planos são em geral curtos excepto quando alguém fala. Aquela terra é mesmo assim, aquela gente vive mesmo assim, todos se conhecem uns aos outros e se estimam há muito.
                      
           Este tipo de convívio é diferente do da grande metrópole, em “In Jackson Hights” (2015), e aquilo que parece interessar o cineasta é o que aproxima as pessoas e como elas se relacionam em torno de que questões.
           Chamadas de atenção para a loja de venda de armas, que sem o dizer a não ser por escrito vai surpreender um problema grave naquela comunidade, e para o discurso final do sacerdote no funeral, dado num só plano longo apenas com contracampo no fim. Segue-se o enterro propriamente dito, numa segunda ida ao cemitério, com as pazadas de terra a serem retiradas do solo para cobrirem o caixão. Tudo muito material no fecho do filme.
          A montagem é rápida, os planos curtos mas com a duração suficiente para a construção de um discurso fílmico fluido, em que tudo é perceptível embora nada dure mais do que o estritamente necessário.
          De "Monrovia, Indiana" desprende-se um sentimento de angústia decorrente de daquela comunidade serem mostradas mais mortes do que nascimentos, o que significa a tendência para o envelhecimento da população, embora as perspectivas de futuro sejam também discutidas.
         Frederick Wiseman está aqui no pleno uso das suas capacidades criativas, excedendo-se em precisão e rigor num filme que nem sequer atinge duas horas e meia de duração. Depois de grandes filmes analíticos a síntese possível dada a dimensão do meio. Comovente e esclarecedor.

4 mulheres

    "Certan Women" de Kelly Reichardt (2016) é um filme sóbrio e minimal de um nome importante do actual cinema independente americano.
   De construção circular, dá-nos quatro mulheres, uma advogada, uma mãe de família, uma professora e uma criadora de cavalos que se junta às aulas da anterior.       
                      https://i1.wp.com/blazingminds.co.uk/wp-content/uploads/2017/01/Certain-Women-Quad-Poster.jpg?fit=1200%2C901&ssl=1
      Com argumento da cineasta baseado em novela de Maile Meloy, estabelece uma realização que se define em torno de personagens que desdramatizam ou tentam desdramatizar as situações em que se vêem envolvidas: um cliente difícil com uma tomada de refém, a cedência de material para a construção de uma casa, a professora sobrecarregada de trabalho e com longas distâncias a percorrer, a aluna que a perde de vista e a tenta reencontrar no escritório da primeira.
     Num tempo de dificuldades, com a ajuda da netflix, na produção cinematográfica americana, Kelly Reichardt continua a destacar-se com o seu cinema descomprometido mas polémico, que aposta em sentimentos elementares, essencialmente de mulheres neste caso, num filme em que está presente a melancolia. 
    Sem ter que prestar contas a ninguém, é um filme simples e simpático que conta com excelentes interpretações contenção. Inédito comercialmente em Portugal, passou esta semana na Cinemateca Portuguesa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Discutível

     "À Porta da Eternidade"/"At Eternity's Gate" de Julian Schnabel (2018) é mais um filme sobre Vincent Van Gogh, um artista moderno cuja vida tormentosa contrasta com a sua arte luminosa e por isso  tem chamado a atenção do cinema, nomeadamente em filmes de Vincente Minnelli (1956) e Maurice Pialat (1991).
    Com tudo o que um filme com este respeito é suposto ter nomeadamente a nível de interpretações - Willem Dafoe está notável -, a nível de argumento - de Jean-Claude Carrière, Julian Schnabel e Louise Kugelberg - e a nível técnico - fotografia de Benoît Delhomme, música de Tatiana Lisovkaia e montagem de Louise Kugelberg e Julian Schnabel -, mostra desde o início o propósito de dar o ponto de vista e a subjectividade do pintor, para o que se socorre frequentemente do plano subjectivo, o que está bem, mas também do permanente movimento da câmara, supõe-se que para dar a instabilidade psíquica dele, e essa é uma opção discutível e que a meu ver funciona mal.
    Trata-se de uma pura opção do cineasta, uma opção do realizador, que pretendendo ser audaciosa retira força à personagem de quem nada nos diz que a subjectividade fosse aquela e assim influenciasse a sua criatividade turbulenta, e enfraquece o filme porque obriga o espectador a acompanhar um movimento constante e gratuito da câmara.                  
                      
   E a figura de Van Gogh merecia um outro respeito, ele que no filme diz que pinta a luz do sol, pinta para não pensar e pinta para o futuro, o que constitui uma boa síntese da sua modernidade efectivamente solar, instintiva e difícil de aceitar para o seu próprio tempo, pelos seus contemporâneos.
   Tirando esta objecção de peso, "À Porta da Eternidade" de Julian Schnabel tem um bom trabalho sobre a escala dos planos, do grande plano - e no campo contra-campo a câmara está geralmente fixa, o que está bem - ao plano geral da paisagem rural, o que porém não oculta a imprecisão do espaço, tornado fluido e escorregadio em obediência a um propósito que se compreende mas não se concorda seja levado a este extremo até porque prejudica a percepção do espectador.
   Os outros actores estão todos muito bem - Oscar Isaac como Paul Gauguin, Rupert Friend como Theo Van Gogh, Mads Mikkelsen como padre, Mathieu Amalric como dr. Paul Gachet e Emmanuelle Seigner como madame Ginoux. Mas a questão não passa por aí.
   Com a preocupação de audácia e novidade, a meu ver Julian Schnabel prejudica o seu filme mais do que o beneficia. Mas percebo que possa haver quem goste. O que tornará este filme pelo menos discutível.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Um príncipe

    Actor para Wim Wenders ("O Amigo Americano"/"Der amerikanische Freund", 1977) e Eric Rohmer ("A Marquesa d'O"/"Die Marquise von O...", 1976), Bruno Ganz (1941-2019) foi o príncipe dos actores europeus, de uma distinção característica e de uma grande qualidade, o que fez dele um preferido de todos. Regressou a Wenders em "As Asas do Desejo"/"Der Himmel über Berlin" (1987) e "Tão Longe, Tão Perto"/"In Weite Ferne, so nah!" (1993), que lhe deram fama como anjo.   
     Mas trabalhou também com Werner Herzog, Peter Handke, Claude Goretta, Alain Tanner e Theo Angelopoulos entre muitos outros. Teve depois uma carreira internacional notável em que fez de tudo, Saint-Ex, Hitler, Freud.
                    
    Sem palavras neste momento, recordo aqui que ele fez de diabo no último filme de Lars von Trier, "A Casa de Jack"/"The House Thaat Jack Built" (2018) - ver "A casa dos mortos", de 12 de Janeiro de 2019.
    Parte significativa do melhor do cinema dos últimos cinquenta anos tem a marca indelével da sua presença. Aqui lhe presto por isso a minha sentida homenagem.

3 super-heróis

  "Glass", de M. Night Shyamalan (2018), representa o regresso do cineasta depois de "A Visita"/"The Visit" (2015) e "Fragmentado"/"Split" (2016) agora com um orçamento maior, o que se nota na qualidade do filme.
    Com argumento do próprio Shyamalan, tem personagens conhecidas dos seus filmes anteriores, David Dunn/Bruce Willis e Elijah Price/Samuel L. Jackson provenientes de "O Protegido"/"Unbreakable" (2000), Kevin Wendell Crumb e os seus duplos/James McAvoy, proveniente do filme anterior, "Fragmentado". Todos são internados num hospital psiquiátrico por se julgarem super-heróis, os últimos também por crimes cometidos. E cada um deles tem o seu duplo, a mãe de Elijah, o filho de David e a vítima de Kevin.
    No hospital têm de lidar com a psiquiatra, Drª. Ellie Staple/Sarah Paulson, mas também uns com os outros. Os dois primeiros, David e Elijah, são sucessivamente operados ao cérebro e Elijah foge com o auxílio de Kevin com planos extravagantes. Mas o centro das atenções são de facto estes últimos, que em si mesmos concentram as forças do mal.
                      
     Mas há que chamar a atenção para o raciocínio de David baseado na cor, para os feixes de luz sobre Kevin, para a importância da banda desenhada americana e da sua história, para os flashes do passado de cada um dos três - o que permite mostrar excertos inéditos de "O Protegido" - mas também da própria psiquiatra sobre o presente.
    Como observa justamente Jean-Philippe Tissé nos Cahiers du Cinéma deste mês num artigo notável, "La dispute", Elijah, o que não entra no jogo de realidade de Ellie Staple, representa um princípio de imaginação, enquanto os outros dois morrem porque são vencidos pelo princípio da realidade.   
     Não sei se o final é o melhor mas é o que existe e justifica-se. O plano final, esse, é de facto magnífico. Mas o que me surpreendeu mais foi a excelente realização de M. Night Shyamalan, de regresso aos seus melhores tempos, com um tratamento notável do campo-contracampo e do sistema de vigilância vídeo instalado no hospital.
    "Glass" deve ser visto como mais um episódio de diversas narrativas, ao jeito da série B e do filme de terror, o que é bom porque é bem aproveitado. Tem fotografia de Mike Gioulakis, música de Blu Murray e Luke France Ciarrocchi e montagem de West Dylan Thordson. (Sobre Shyamalan ver "A horda", de 22 de Outubro de 2017.)